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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mas e a vida? E a vida o que é, diga lá meu irmão

Luiz Gonzaga Junior (Gonzaguinha)
Por Valter Machado da Fonseca

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar! Cantar e cantar! A beleza de ser um eterno aprendiz. [...] e a pergunta roda. E a cabeça agita: eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita!” (Gonzaguinha).

Ao analisarmos a letra da canção de Luiz Gonzaga Junior, o Gonzaguinha, várias inquietações nos vêm à mente. A canção nos remete a indagações como: por que o brasileiro consegue sobreviver com este salário mínimo? Qual é o jeitinho brasileiro? Por que o brasileiro é tão criativo? Quando nos vêm à mente estas indagações, lembramo-nos das dificuldades pelas quais passa o nosso povo. Lembramo-nos das enchentes que destroem, num piscar de olhos, tudo que famílias inteiras construíram durante todas suas vidas. E, o mais interessante é que eles não desanimam, estão dispostos a recomeçar do zero. Aí, surge a pergunta que sintetiza tudo isso: de onde vem a imensa força de superação de nosso povo?

Mas, para tentarmos entender esse “mistério” é preciso filosofar. Filosofar sobre a vida. Filosofar sobre as concepções de vida e de mundo. Filosofar sobre este modelo de sociedade reducionista. Uma sociedade que reduz “o tudo” ao “quase nada”. Ao analisarmos os discursos dos poderosos, dos chefes de Estado, dos governantes do mundo e da sociedade, observamos que tais discursos são carregados de coisas complexas, de palavras bonitas, de “boas intenções”, de “verdades” supostamente neutras. Mas, se analisarmos as entrelinhas de tais discursos o vazio do “não dito” como diria Michel Foucault, verificamos que, ao contrário do que nos aparentam à primeira vista, eles são encharcados de intenções, de dissimulações, de armadilhas. São discursos que banalizam as relações humanas, que reduzem o importante à superfluidade, a alegria à tristeza, a bondade à maldade, a simplicidade à perversidade, as boas intenções à ruína. Aliás, “de boas intenções o inferno está repleto”.

Na verdade, em nome da felicidade humana, o aparato discursivo dos grandes governantes da humanidade defende, em última instância, a mediocridade da ganância, da mais valia (lucro) e da exploração do homem e dos recursos do planeta. Para eles, a felicidade se reduz ao lucro dos banqueiros, dos grandes grupos econômicos agentes da exploração do homem pelo próprio homem. Que felicidade é essa, afinal?

Agora, quando analisamos o discurso dos “de baixo”, como diria o nosso saudoso Paulo Freire, dos despossuídos, dos dizimados, dos invadidos, dos “demitidos da vida”, dos “esfarrapados do mundo”, enfim, o discurso do “povão”, verificamos que os parâmetros, as verdades, os valores são outros. Eles não se preocupam com a complexidade do mundo, mas sim com a simplicidade das coisas do mundo. Eles se preocupam em viver o momento presente e não em arquitetar projetos mirabolantes para o futuro. A felicidade para o nosso povo se reduz à simplicidade do mundo e das coisas belas e boas do mundo. Eles se contentam e são felizes com o churrasco na laje nos fins de semana, em curtir o samba, o pagode, em “fazer amor”, não importa a hora. Não se preocupam com as convenções e com a estética hipócrita. Constroem sua cultura nas lacunas do sofrimento do dia a dia, no cotidiano simples e sofrido de suas vidas. A vida, para eles, é constituída da soma de pequenos momentos felizes. É por isso, que eles enfrentam, de peito aberto, o sofrimento e as atrocidades que marcam o cotidiano de suas existências. E, por isso, eles são felizes, mesmo na mais completa adversidade. A vida para essas pessoas se resume na simplicidade das coisas mais simples, singulares, belas e não na complexidade dos discursos dos opressores. Esta é a chave do nosso “mistério”.

Por isso, concordo com o grande poeta Gonzaguinha: ninguém quer a morte, só saúde e sorte. [...] eu fico com a pureza da resposta das crianças! É a vida! E, ela é bonita, é bonita e é bonita! Por isso, o mais sublime e importante é viver e não ter a vergonha de ser feliz!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dia do professor: o que temos a comemorar?

Por Valter Machado da Fonseca

Neste dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor. Mas, aqui cabe a indagação: o que comemorar? É com tristeza e decepção que refletimos sobre nossa profissão e chegamos à desoladora conclusão que não temos nenhum motivo para qualquer comemoração.

A profissão docente tem sido enxovalhada, colocada em segundo plano, enquanto a educação tem sido, sistematicamente, transformada em mera mercadoria a serviço do lucro. É notório que toda a sociedade passa, necessariamente, pela escola e, consequentemente, pelas mãos dos professores. No entanto, esta honrada profissão é humilhada, subjugada, como se fosse um mero acessório, um bem descartável a serviço da reprodução do capital. Os governos e os “especialistas” dos currículos das escolas, em todos os níveis, vêm substituindo os conteúdos necessários para a compreensão do mundo, para o enfrentamento da vida, por valores superficiais e/ou meramente técnicos. A escola tem sido transformada em mais uma ferramenta que serve apenas para capacitar para o mercado de trabalho. É a “lógica” da técnica substituindo os valores humanos. Esta é a escola do século XXI que se preocupa com a formação dos sujeitos apenas para saciar a ganancia da mais valia e não para prepará-los para enfrentar sua aventura maior: o mundo, a vida.

Por isso as disciplinas que tratam das ciências humanas, como a Filosofia, Geografia, Artes, Antropologia e a Sociologia, dentre várias outras, têm sido relegadas a segundo plano. As disciplinas que tratam dos valores humanos são perigosas para os detentores do poder político, pois elas ensinam os sujeitos a pensar e, ao capital, aos donos do poder não interessam formar sujeitos pensantes, pois estes vão questionar seu poder, sua “justiça”, seus valores hipócritas, oriundos da sociedade do consumo e do culto ao supérfluo, ao descartável. Trata-se da relação saber/poder, conforme enfatiza Michel Foucault em sua “Microfísica do Poder”.

Dentro desta lógica, a profissão docente é subjugada aos anseios dos donos do poder. A eles interessam a formação de professores que não pensam, não questionam. Interessam a eles formar professores “enlatados”, “enquadrados”, “acomodados” dentro de seus projetos de perpetuação do modelo de reprodução do capital, de manutenção do status quo da ganancia exponencial da mais valia capitalista. Seguindo esta lógica, a formação de professores para atender uma educação que, a cada dia mais, se transforma em mercadoria, também têm que se submeter aos salários aviltantes do mercado da “indústria do vestibular”, dos governos capituladores, ou dos grandes grupos inter/multi/transnacionais que tomam conta das escolas e das universidades brasileiras.

Por fim, neste dia 15 de outubro, mesmo não tendo o que comemorar, fica o convite aos colegas professores: vamos partir para uma séria reflexão sobre a nossa prática em sala de aula e nossa profissão. Faz-se urgente que ergamos a cabeça e comecemos a olhar a escola para além de seus muros, repensando seu papel social. Faz-se urgente que entendamos nosso papel enquanto sujeitos formadores de valores éticos, morais e de sujeitos que podem ser agentes, cidadãos transformadores da dura realidade socioeconômica e cultural em que vivemos. É urgente que percebamos qual é o nosso relevante papel, no interior de uma sociedade cada vez mais carcomida, deteriorada pela imoralidade em todos os níveis e que caminha, a passos largos, para a barbárie. Vamos passar a limpo nossa profissão e a escola no Brasil, visando à formação de sujeitos que sejam agentes de transformação social, ao longo de um processo histórico e cultural.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lançamento da obra “O SUJEITO & O OBJETO” foi um grande sucesso

Prof. Valter Machado da Fonseca
O SUJEITO & O OBJETO; Educação e outros ensaios” é o título do livro lançado dia 29 de outubro de 2010, às 19 horas, na Biblioteca Municipal Bernardo Guimarães. A obra é de autoria do professor Mestre e doutorando em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e docente da Universidade de Uberaba (UNIUBE), Valter Machado da Fonseca e de Sandra Rodrigues Braga, Mestre e Doutora em Geografia pela UFU e Coordenadora do COSAE/CNPq.
O evento foi uma realização conjunta da Uniube e Biblioteca Municipal Bernardo Guimarães encerrando as comemorações da “Semana Nacional do Livro e da Biblioteca”.  O lançamento contou com a presença de 60 pessoas, entre as quais se destacaram professores universitários, professores das Redes Municipal e Estadual de ensino, professores do curso de Geografia/colaboradores EAD/Uniube, estudantes universitários e integrantes da comunidade uberabense, além de professores e pessoas do Estado de São Paulo.
É importante destacar as brilhantes palestras do Prof. Décio Bragança (UNIUBE), do Professor mestre em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), doutorando em Educação pela UFU e Professor Assistente da Universidade Federal de Goiás, Campus de Catalão (UFG/Catalão) Serigne Ababacar Cisse BA, natural de Dakar, capital do Senegal. Estiveram presentes ainda as seguintes entidades: SABI (Sociedade Amigos da Biblioteca), NEEFICS (Núcleo de Estudos em Educação, Filosofia e Ciências Sociais do Triângulo Mineiro), Fórum Municipal de Educação de Uberaba, Instituto Curupira de Ecologia e (AGB/Uberaba) Associação dos Geógrafos Brasileiros, sessão Uberaba.
ESPETACULAR!!!
Não existe palavra mais apropriada que esta para definir a apresentação musical da dupla Emerson Lino (músico/violonista da Banda da polícia Militar do 4º BPM/MG) e Sandra Helena (pedagoga da Rede Municipal de Ensino e aluna do curso de Direito da Uniube). A dupla interpretou clássicos de Chico Buarque (Geni e o Zepelim), Monsueto (Mora na Filosofia, consagrada por Caetano Veloso), Belchior (Divina Comédia Humana), Michael Sullivan e Paulo Massadas (Um dia de domingo, eternizada por Tim Maia e Gal Costa), Grupo “Nenhum de Nós” (Astronauta de mármore), dentre outras belíssimas canções. Foi um Show maravilhoso.
Ao final do evento, Sandra Helena e Kelly Fernanda (colaboradora da Uniube) foram homenageadas com dois arranjos de flores, devido às magníficas contribuições que prestaram à realização do evento. O enceramento se deu com um coquetel e sessão de autógrafos. Enfim, o evento foi um grande e agradável acontecimento social, artístico, científico e cultural.